terça-feira, 6 de outubro de 2009
Você às seis e trinta
Do fim ao recomeço do namoro, meu pesadelo durou um mês e meio, e ao mesmo tempo que os dias se arrastavam, aconteceram tantas coisas que daria história pra um ano. Ficar sem ele foi difícil e dolorido, principalmente porque durante todo o tempo eu tinha vivido pra ele, e tive que reaprender como era antes de conhecê-lo. Dias cinzentos.
E aí um dia eu acordei muito cedo no tapete felpudo da sala, com meu edredom estampado, o sol começando a aparecer pela fresta da cortina, um toque suave de piano vindo do andar de cima, e ele dormindo ao meu lado. Aí eu vi que tudo tinha passado, sorri feliz e ele acordou só o suficiente pra me abraçar e voltar a dormir.
E claro que pensando agora tudo parece mais fácil, mas no fundo eu sabia que precisava desse tempo. Precisava redescobrir que, ao contrário do que eu pensei nos primeiros dias, eu tinha vida além dele. Precisava ver que minha família estava, sim, do meu lado, e as conversas na cozinha e ao telefone valeram mais que mil sessões de terapia. E precisava de coisas bobas também, tipo ver que os meninos me olham na rua, ficar na companhia das minhas amigas, encontrar outras coisas pra fazer no fim de semana (tipo levar meu cachorro pra correr na fazenda, para desespero das galinhas), e finalmente descobrir que eu posso sim viver sem ele. Só que não quero. É tão bom gostar de uma pessoa sem precisar dela.
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Anne Kravitz
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13:30
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domingo, 13 de setembro de 2009
Agora f*deu?
Borboletas no estômago? Piada... O que eu sinto é um DRAGÃO COMENDO meu estômago bem devagar.
Deve ser porque:
O falecido anda tentando me encontrar.
O estagiário novo fica me ligando.
O cara da plantinha (vide post anterior) marcou um jantar pra conversar comigo. (Sobre o que, meldels? Vou ganhar uma aliança ou um pé na bunda?)
A prova da OAB é amanhã (oi? Hoje né).
E o concurso do Tribunal de Justiça é no próximo domingo, quer dizer: além de trabalhar, cuidar do cachorro e vestir minha Poupée (haha) eu tenho UMA SEMANA pra estudar pra um concurso.
Se eu não enlouquecer dessa vez, é porque já pirei mesmo.
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Anne Kravitz
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01:53
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quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Suddenly breathing seems so hard to do
Um dia eu já escrevi que amor é um trevo de três folhas e também é uma orquídea rara cultivada por jardineiros talentosos.
Amor é uma plantinha que a gente tem que cuidar pra manter viva e da minha eu cuidei com toda a dedicação. Não houve nada que eu pudesse ter feito melhor. Eu cuidei dela todos os dias. Mas claro que eu não podia cuidar sozinha: ele também tinha que cuidar. E por um tempo ele cuidou com esmero. E aí os problemas vieram - problemas que nunca foram nossos, e apesar de todas as dificuldades, a gente estava ali regando a plantinha. Até o dia que ele se esqueceu de cuidar.
E agora eu não sei mais o que fazer com essa planta, devo continuar cuidando? Devo deixar num canto e esperar que ela crie raízes sozinha, ou que ele resolva voltar a cuidar? Porque embora falando assim não pareça, ele também considera essa plantinha muito preciosa e não quer abandoná-la. E enquanto eu não decido o que fazer, continuo esperando que um dia ela volte a florescer.
Um dia.
Já passei por quase todos os estágios: o desespero, a depressão, a mágoa, a raiva, só falta a indiferença. Na pior das hipóteses, eu vou (mais uma vez) me curar sob o céu e sobre o mar. Mas isso fica pro próximo post.
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Anne Kravitz
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10:36
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sábado, 29 de agosto de 2009
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Cachorro é bom demais
Faz um ano que ele entrou na minha vida e desde então eu, que nunca tinha tido um cachorro (só hamsters, peixes, pássaros, coelhos...) tive que aprender a educar um. Não que eu tenha conseguido isso direito =D Ele faz muito mais o que ele quer do que o que a gente quer que ele faça. É um adolescente meio rebelde.E aprendi que cachorro é tudo de bom. E que donos de cachorros se entendem. E que agora a gente tem muito mais o que conversar, e que a palavra mais falada em casa é, sem dúvida, Johnnie. E que acordar de madrugada e correr pro veterinário levando um cachorro todo inchado de uma reação alérgica é quase rotina, e a gente tem que se esforçar pra não parecer aquelas mães chatérrimas que só sabem falar sobre seus filhos. Bom, pelo menos eu não coloquei o latido dele como toque do meu celular. Ainda.
Cachorros não guardam mágoa, estão sempre felizes, abanando o rabo por qualquer bobeira. Você briga com eles e daqui 5 minutos estão aí com uma bolinha na boca chamando pra brincar. Você chora e eles lambem seu rosto. Você chama pra passear e enquanto coloca o tênis eles estão chegando com a coleira entre os dentes. Você chega em casa exausta, querendo ver o mundo acabar em barranco, e eles te recebem como se vocês não se vissem há meses. Quer saber? Não sei como consegui viver tanto tempo sem ele.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Até parece
Esses dias veio um sujeito aqui tentando me vender o álbum de formatura da faculdade. Eu dispensei o álbum e ele saiu daqui puto. Paciência. Filosofia da vaca pra ele.
Pra ele e pra faculdade, porque eu não sei vocês, mas saudade dela eu certamente não sinto. Por quê? Bom, vamos resumir cinco anos em um post. =P
O primeiro ano parecia a primeira semana do Big Brother, todo mundo amigo, fazendo festa, aquela zona.
No segundo ano surgiram as panelinhas e uma delas fez uma comunidade pra falar mal de mim no Orkut. Descobri por acaso, postei um tópico na comunidade com o link de outra comunidade - Fala na cara, seu bosta - e nunca mais olhei na cara de ninguém que estava nela.
No terceiro ano eu levava um livro pra ler no intervalo.
No quarto ano comecei a andar com pessoas de outros cursos. As pessoas da minha sala começaram a tentar falar comigo sobre a formatura e eu pulei fora. Não tinham me excluído? Então que se f*dam, nénão?
No quinto ano me juntei às pessoas que, assim como eu, não se encaixavam em nenhuma panelinha. E foi o melhor ano.
No geral o curso me decepcionou, eu entrei lá esperando por audiências simuladas e debates acalorados e passei cinco anos sentada numa sala mofada ouvindo um cara falar sem parar. O Núcleo de Prática Jurídica era a maior piada ever, porque prática que é bom não tinha nada, a gente ficava era na internet tentando furar o bloqueio do Orkut e do MSN. Se ao menos naquela época eu conhecesse o Poupée Girl...
Minha colação de grau foi num dia chuvoso. A mãe do meu namorado tinha falecido dois dias antes, então claro que eu estava triste por ela, e também por ele não poder estar lá. Depois de entregarem nossos certificados, quando estava todo mundo comemorando, se abraçando, jogando os capelos pra cima e bebendo substâncias de garrafas levadas ilicitamente, eu virei as costas e subi as escadas sozinha, e fiquei esperando meus pais lá fora. Clima de festa como, meldels? Eu só estava aliviada por aquilo tudo ter terminado.
Mas claro que eu não ia contar isso pro vendedor de álbuns. Até porque cada um tem seus pobrema, e como eu tenho os meus, ele também deve ter os dele. Então... deixa pra lá.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
O mundo RODA!
Aí, a gente resolveu fazer uns reparos aqui no apê e papito contratou uma equipe. Depois de uma certa quebradeira o fuá chegou ao meu quarto, e antes que tudo viesse abaixo [drama queen mode on!] eu fui lá pra saber exatamente o que seria feito. Como a reforma não era grande coisa, lá estava eu conversando com um dos caras sobre impermeabilizante pra paredes e aconteceu um diálogo mais ou menos assim...
- A gente já teve um problema assim quando entupiu a calha do andar de cima... você acha então que se passar esse produto não volta a estragar as paredes nem se entrar um monte de água de novo?
- Você ainda ouve Westlife?
- Ahn... oi?
- Tinha uns trechos de músicas deles nas suas cartas.
Olhei pra cara dele sem entender p*rra nenhuma. Mas aí lentamente (saca só a cor do cabelo né?) a ficha foi caindo e eu soltei algo do tipo:
- Ai, meodeos. É você. Me disseram que você tinha ido embora.
- Eu tinha. Mas quando começou a crise eles começaram a pagar pros imigrantes voltarem.
- Hum.
- Mas pow, não faz tanto tempo assim.
- Nem. Uns oito anos. [!!!]
- Você nem lembrava da minha cara.
- Nunca mais te vi, né.
- Esqueceu até do que aconteceu.
- Como assim? Nunca aconteceu nada!
- Mas teve as cartas.
- Só as cartas.
- Ah, é, mas teve.
Eu mereço. Devo merecer. Algumas coisas ressucitam, sabe, sem que você espere. Sem que sequer você pense nelas. Eu:
- Me diz só uma coisa, se naquela época eu soubesse como conduzir a situação, poderia ter sido diferente, poderia ter dado certo, mesmo que se fosse só por algum tempo?
- É, poderia... claro que poderia.
Nesse instante eu olhei pra foto do meu namorado na parede do quarto. Ele olhou pra aliança dourada na própria mão esquerda. E não foi preciso dizer mais nada pra que a gente entendesse.
Poderia ter sido diferente. Mas ainda bem que não foi.
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Anne Kravitz
às
22:37
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